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Six Feet Under - prêmio de conjunto da obra!

Esse final de semana criei vergonha na cara, peguei a quinta temporada de Six Feet Under e terminei.

SÓ CONTINUE SE TERMINOU SFU, SPOILERS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Finalmente terminei. SFU sempre foi um seriado difícil de assistir pra mim, porque por padrão seriados de dramas por terem episódios mais longos já são difíceis de assistir. E quem me conhece sabe que eu tenho a fama de dormir em filmes, seriados e cia... hehe. Com uma rotina pesada de trabalho e escola são poucos os momentos que eu realmente posso assistir um seriado como SFU. E não sei por que... se eu fico muito tempo sem assistir uma série é duro para engatar de novo, mas também depois que eu engato...
Tenho boas memórias de SFU. Mesmo antes de o Caio ter essa paixão louca eu já assistia... eu parei e ele foi até o fim. Fui devagar, ele passou várias fases comigo, me fez companhia, preencheu vazios imensuráveis.
E faz tempo que eu não termino uma série, Friends foi a última, partiu meu coração.
Mas SFU nunca foi a série que me pegou de jeito, mas o conjunto da obra é perfeito. Não me sinto faltando um pedaço como quando eu assisti ao último episódio de Dawson's Creek, me sinto plena, completa... não sei, talvez uma nova visão, talvez um amadurecimento, talvez a consciência de que a vida não é um conto de fadas, é SFU na veia segundo a segundo.

Quinta temporada forte, muito forte e fica mais densa depois da morte do Nate e toda a piração de todos. Realmente não esperava aquela morte de sopetão.
E não é uma série para qualquer um. Eu que tenho o meu lado com a morte bem resolvido (ainda nenhuma morte me fez "pirar", acredito que eu ficaria muito mal com a morte de alguém com quem eu estivesse envolvida amorosamente. A morte do Keith foi a que mais me tocou.) fico perturbada se tiver uma overdose de SFU.

SFU é próximo demais, é a vida sem mentiras, sem "florzinhas", sem "panos quentes". Sim, os humanos amam, traem, fazem tudo o que é possível de errado porque é para isso que vivemos. Vivemos para experimentar, colecionar experiências e lidar com as pessoas. Inserir as pessoas em nossas vidas, perder pessoas, chorar por elas e rir com elas e como Trevor do NIN diz em Hurt "Everyone I know goes away in the end". A vida é curta demais e perdemos tempo demais com valores pessoais que acreditamos tão fortemente que não podem ter flexibilidade nenhuma por quem quer que seja.

Eu tenho medo do "ping-pong" da vida. Dizem que a vida é como uma bolinha de ping-pong, você joga ela na parede e ela volta... você faz o bem e tem o bem, faz o mau e tem o mau de volta... seria o karma de Earl. Mas eu acredito em um equilíbrio, a vida não pode ter somente momentos bons, tudo que é exagerado faz mal. Temos nossos altos e baixos e passamos a vida inteira tentando aprender como aceitar os momentos ruins assim como aceitamos os bons. Mas acredito sim que nossas ações tem todo um retorno e se elas não são boas o retorno não é tão agradável. Nessa parte não consigo parar de pensar na Brenda. Em tudo o que ela passou... toda aquela busca sexual, toda dor que ela proporcionou para o Nate, mas mesmo quando as pessoas dizem pra mim "tem coisas que podemos evitar" eu não acredito, evitar é não viver, certas coisas não é possível evitar. E isso fica claro quando o Nate transa com a Maggie, afinal ele se negou tempo demais... tentou ser feliz com a Brenda, mas o tempo deles passou.

Esquecemos que tudo à nossa volta muda o que somos a cada segundo. Vivemos presos a um segundo passado achando que a maturidade pode transformar algo vivido em melhor e esquecemos que o presente é o mais importante. Deixamos o presente ir e vivemos correndo atrás de um presente fictício esquecendo uma frase "nem tudo o que você quer é o que você precisa". Sim, corremos tanto atrás do que queremos e quando conseguimos olhamos para algo que nem sempre é o que imaginávamos... a vida é isso, aprender a lidar com as surpresas, com tudo o que é diferente (o diferente e desconhecido assusta, não?). E sim, alguns momentos vale esperar, ter paciência... mas isso só o tempo diz. O que está escrito não se apaga.

E podem me chamar de nerd pirada, mas depois de achar que atuar como atriz ou diretora seria minha vida e não ter dado certo, depois de achar que a música seria minha vida e não deu certo eu me sinto completa assistindo certos seriados como SFU porque não existe nada a fazer a não ser viver...

E eu recomendaria no início desse post para todos que nunca terminaram SFU nunca escutar "Breath Me", a música de encerramento. Mas quem sou eu para mudar a experiência de cada um? Eu gostaria de nunca ter ouvido essa música. Ela tem uma carga própria e eu não consegui me conectar ao final por conta disso. Sim, chorei muito, mas queria que ela fosse uma completa estranha pra mim... e o final me pegou, todos falavam demais desse final e mil coisas passaram pela cabeça, mas eu nunca esperava um final tão bem amarrado, tão fiel à realidade com que o seriado foi concebido. O final se encaixa completamente com a proposta inteira do seriado, a realidade nua e crua sempre. Afinal é isso mesmo, todos vamos perder quem amamos um dia, vamos ser felizes, vamos envelhecer e vamos morrer.

Acredito que para todos que participaram desse seriado deve ter sido uma experiência única, libertadora.

Sim, vou sentir falta de tudo e ao mesmo tempo de nada, porque como eu disse, me sinto completa. Adeus para a piração da Ruth que sempre foi "sozinha" no seu mundo idealizado em volta dos seus filhos, mas que no final tomou a rédia da vida e fez o que quis. Adeus para o Nate que teve uma linha de crescimento grande o seriado todo, se conteve como todos nós em momentos da sua vida, errou pra caramba e quando podia ter vivido uma experiência diferente (seria diferente? Qual foi o fim de Maggie, não me lembro de ter visto nada nos flashs finais e não pretendo ver tão cedo novamente aquele fim) a sua vida teve um fim, mas tenho certeza que ele viveu, sim viveu. Adeus para Brenda que de todos pareceu sempre a mais errada, a mais perdida, atormentada, que quis viver uma vida diferente, que se perdeu em suas experiências passadas e de alguma forma encontrou uma forma de ter sua linha de crescimento também, que se tornou mãe, que colocou ordem nas idéias bagunçadas. Adeus para David que sempre demostrou ser fraco demais para as porradas da vida e sempre carregou o legado da família nas costas, que me emocionou quando resolveu adotar o Antony, que venceu seus medos e acabou vivendo sozinho sem o Keith fatalmente. Adeus para a Claire que no fim foi os olhos de tudo, que cresceu estrondosamente e fico feliz dela ter casado com o Ted. Adeus a todos os outros que participaram do círculo da família Fisher. E que família! Como qualquer outra, cheia de conflitos.

Seriado grande demais que daria para falar eternamente.

Só digo uma coisa. No último episódio a Ruth fala que não vai viver mais com o George porque ele é cercado por muros que não o deixam sentir, amar, se entregar... cuidado! Já vi tantas pessoas assim e isso é triste demais. Eu mesma deixei muros enormes crescerem à minha volta por conta dos tombos da vida. Enfrente seus medo de frente, sempre!
Cada um tem o seu caminho e espero que um dia todos se libertem dos seus "muros". Não deixe de viver tudo que é possível porque no final é só isso que nos resta, tudo o que vivemos e contruímos, todas as emoções, experiências, sentimentos, entregas, lembranças, abraços de amigos, vivência em família, carinhos, beijos apaixonados, amores perdidos e dores superadas e não superadas.

Deixo vocês com aquele sorriso maravilhoso da Maya e que todos possamos sempre enxengar mais e nunca menos.

SFU, seriado obrigatório para qualquer um.

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