Depois de longa ausência, retorno ao blog para escrever sobre Six Feet Under, que finalmente terminei de ver, depois de uma overdose neste final de semana. O texto não tem spoilers, mas não faz muito sentido lê-lo se você ainda não terminou de ver a série! Fica a dica! =)
“Morrer é fácil... Viver é grande desafio!”
Não se deixe enganar pela nome – A sete palmos – ou mesmo pelo cenário onde a série se passa – uma funerária – Six Feet Under fala, primordialmente, sobre vida e a difícil arte de viver. A morte é apenas um gancho para que as coisas se desenrolem.
Assim, apesar de todo episódio, invariavelmente, começar com a morte de alguém, era a vida dos personagens que importava. Vidas sem a maquiagem que fazia qualquer cadáver parecer bonito, não importando que tragédia o tinha acometido, vidas sem a hipocrisia dos discursos de velórios, que sempre santificam a todos, como se pela morte, todos os erros fossem apagados, ou melhor, nunca tivessem existido.
Durante cinco temporadas, acompanhei estes personagens, mesmo sem conseguir realmente me identificar com eles. Na verdade, constantemente, me sentia frustrada com suas decisões, mas o fato é que sempre admirei a coragem que tinham de viver suas experiências até o fim, ou de pelo menos, tentar viver o que para eles fazia sentido naquele ponto de suas vidas.
E como na vida real, eles erravam, se machucavam e eram machucados, se arrependiam, riam e choravam. E eram constantemente atingidos por acontecimentos repentinos, fora de seu controle, como a perda da lucidez de um marido, um seqüestro-relâmpago que quase termina em tragédia, o desaparecimento de uma esposa e, porque não, a morte de entes queridos. E ao lidar com tudo isso, expunham suas fraquezas, escancaravam sua humanidade.
Six Feet Under deixa muitas lições. Algumas delas, ditas nos diálogos entre os personagens, eu colocarei em breve no BoxFechado, em uma compilação que fiz enquanto assistia aos episódios. Outras, estão nas entrelinhas de tudo que aconteceu na série, algumas óbvias, outras nem tanto, variando de acordo com a percepção e experiência de cada espectador.
Para mim, que sempre tive uma “relação tranqüila” com a morte, até o dia que ela resolveu levar a minha pessoa (como diria a Dra Christina Yang de Grey’s Anatomy), a lição mais marcante é também a mais óbvia, mas que nem sempre conseguimos encarar de frente – o fato de que todo mundo morre e o que vale realmente é aquilo que vivemos.
Eu espero estar aproveitando bem o meu tempo, afinal o relógio está contando... Tic-tac!
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